Indústria 4.0: realidade ou invenção?

Atualizado: 3 de jan.




Historicamente, a humanidade já passou por três grandes revoluções industriais. A primeira e, para muitos, a mais impactante, revolucionou as indústrias implementando o vapor (queima de carvão era a fonte de energia) como força motriz para máquinas que conseguiam fazer o serviço de muitos homens. A segunda revolução trouxe o petróleo e a eletricidade para as industrias e uma série de mudanças no chão de fábrica com a utilização de técnicas para produção em massa. Já a terceira revolução industrial foi a responsável por avanços tecnológicos em áreas como eletrônica, genética, telecomunicações, entre outras, levando para as indústrias controladores digitais, dando início à era da robótica e automação.


Todavia, muitos engenheiros e historiadores defendem que, atualmente, estamos passando pela quarta revolução industrial. Daí o termo "Indústria 4.0".


Devemos deixar claro que não existe um consenso sobre isso. Muitos engenheiros industriais (ainda que sejam a minoria) negam que estamos passando por esse período e afirmam que os novos avanços tecnológicos são frutos da terceira revolução industrial. Um grande argumento citado por eles é de que este termo foi inventado e difundido de maneira forçada pelas indústrias alemãs, já que o termo teve sua origem na Hannover Messe, em 2011, com objetivo de alavancar o potencial industrial do país.


Mesmo assim, a grande maioria dos pesquisadores da área reconhecem que estamos passando por um período de grandes e inovadoras mudanças. Mas o que seria, de fato, a marca desse período? Qual seria a grande inovação que a diferencia da terceira revolução industrial?


Como dito, eletrônica, robótica e até mesmo automação já eram vistos na terceira revolução industrial. Já era possível, no começo dos anos 2000, ter uma fábrica totalmente robotizada ou uma casa inteligente. Dessa forma, não podemos considerar automação como fruto da quarta revolução industrial!


A grande marca da quarta revolução industrial são os sistemas cyber-físicos. É a integração entre computação e eletrônica avançadas, criando sistemas que não apenas são automatizados para realizar uma atividade, como também conseguem se comunicar com outros sistemas e tomar decisões fora do escopo em que foram concebidos. É a aplicação da Inteligência Artificial em sistemas reais.


Antes, um robô em uma linha de produção responsável por um processo pontual, como fechar uma embalagem, só tinha essa atribuição e, caso algo saísse do controle, o operador deveria agir (em alguns casos poderiam haver sistemas de redundância mas sem muita possibilidade de solucionar problemas). Agora, o robô consegue verificar se está tudo de acordo, tomar decisões sobre a taxa de produção, por exemplo, e, detectando um erro, pode se comunicar com outros robôs do início da linha de produção para remediar imediatamente os possíveis problemas, sem que seja necessária intervenção humana.


Muitas outras técnicas e ferramentas são discutidas como sendo, de fato, pontos chave da quarta revolução industrial. IoT (Internet of Things), IoS (Internet of Services), Cloud Computer, Cyber Security, entre outros, são termos que ajudam a definir com clareza as definições dos avanços tecnológicos.


Ainda estamos descobrindo muita coisa sobre a quarta revolução industrial. Pela primeira vez, estamos estudando uma revolução industrial durante seu período histórico e não apenas depois. Por isso, recomendo aos interessados pelo assunto se informarem bem antes de entrarem em qualquer debate sobre o tema. Futuramente, deixarei sugestões de livros para ajudar com isso.


E se houver qualquer dúvida, enviem um e-mail para gustavosordi@multiengenharia.site com o assunto "Dúvidas: Indústria 4.0".

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