Automação leva ao desemprego?

Atualizado: 3 de jan.




Uma das maiores discussões quando o assunto é automação industrial é sobre a organização do trabalho pós-modernização da planta industrial. Muitas pessoas argumentam que o avanço da automação tem um grande ponto negativo: as maquinas estariam tirando empregos de humanos e o único que ganharia seria o dono da empresa. Jamais foram ditas palavras mais equivocadas!


O medo de que máquinas inteligentes tomem o lugar de humanos é algo bem cinematográfico. "Matrix" e "O Exterminador do Futuro" descrevem futuros onde inteligências artificiais tomaram o lugar dos homens como dominantes no planeta. Mas fora dos filmes, o cenário é bem diferente.


Primeiro, é preciso lembrar que os avanços tecnológicos atuais, por mais que magníficos, não são os primeiros nem os maiores. Estamos passando pela quarta revolução industrial, o que significa que já passamos por outras três revoluções que trouxeram avanços tecnológicos e mudaram significativamente a organização do trabalho em indústrias. Em todos esses momentos, foi possível ver a mesma preocupação: medo de que máquinas substituam o emprego dos humanos.


Na prática, da primeira revolução industrial até hoje, o número de pessoas no planeta aumentou exponencialmente, acompanhando pelo aumento da oferta de empregos. Mesmo com a modernização de processos e a constante inserção de máquinas na linha de produção, ainda existem empregos para os homens.


Mas se uma máquina pode fazer o serviço de dez homens, por exemplo, para onde foram as dez pessoas que agora não executam a mesma função de antes? O segredo está no surgimento de novas demandas!


Onde antes a força humana era aplicada para realizar processos repetitivos, como montagem de peças, agora ela é aplicada em pontos que exigem uma interpretação complexa e criativa, a qual as máquinas ainda não são capazes de realizar. Pessoas em uma linha de montagem que foram substituídas por um robô colaborativo, agora supervisionam o processo, analisam dados e dedicam seu tempo em questões envolvendo melhoria e gerenciamento de processos.


Ainda assim, mesmo que, naquele processo, a força humana não consiga ser reaplicada, a implementação de uma máquina na linha de produção gera uma série de novos empregos: a manutenção da máquina, o desenvolvimento, todo o administrativo e comercial da empresa que vendeu a máquina, fora toda uma nova estrutura física que deverá ser adaptada para a instalação da nova máquina (que engloba estrutura civil, mecânica e elétrica).


De fato, reconheço que é normal ter medo de perder o emprego para uma máquina. Sempre que falo que sou Engenheiro de Automação, sou questionado sobre isso. Contudo, uma rápida análise dos dados históricos prova que nenhuma inovação tecnológica elimina o número de empregos disponíveis, ela apenas reorganiza os empregos existentes para novas áreas, muitas vezes mais seguras e de melhor remuneração que as anteriores.


Devemos estar prontos para a modernização dos atuais postos de trabalho, o que envolve uma formação adequada e uma mudança de mentalidade, uma vez que esse novo mercado exige não apenas formação técnica como também uma série de novas soft-skills. O avanço tecnológico é benéfico e inevitável!

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